Eu tinha 6 anos. Estava no 1º ano do ensino básico.
Ela tinha 7 ou 8, estava no 2º ano.
Ela não sabia responder aquela pergunta, errou.
Ele disse algo como: "Sara, levanta-te e dá-lhe um estalo."
Eu, incrédula e inocente, fiquei relutante.
Ele disse algo como: "Se não deres, levas tu."
Eu bati-lhe. Assustada, inocente, não queria ter o mesmo destino, das mãos daquela... Coisa. Poderia chamar-lhe besta ou monstro mas tais palavras não são o suficiente para o descrever. Ele era apenas... "Moacir"... Penso que era assim o nome dele.
Intitulava-se de professor. Mas longe estava disso. A teoria da gravidade dele é que a Terra gira muito depressa, como uma pedro no fundo de um balde, por isso nós não caiamos.
Ele fez a nossa vida um inferno durante os 4 anos do 1º ciclo.
Hoje, quase 13 anos depois do nosso primeiro encontro, ele ainda é das pessoas que eu mais odeio, se não a que eu mais odeio de todos. E faz algum tempo que eu jurei que se o voltasse a ver que iria dizer tudo o que me ia na alma.
Eu vi-o hoje. Estava tão feliz, estava com amigos. E, de repente, a minha amiga, também ex-aluna dele, diz: "Já viste quem está ali?"
Demorei 2 segundos a vê-lo e reconheci-o de imediato. "Moacir", disse eu.
Senti todo o odio a voltar, senti-me endoidecer. Perguntei se eles não queriam ir embora, ela assentiu.
Cinco segundos depois de o ter visto estava na rua, afastada dele. Não tive tempo para pensar, simplesmente tinha que sair dali ou teria-me dirigido a ele e explodido.
Cá fora o odio estava à flor da pele e fiz a única coisa que podia ter feito. Chorei. Debatia-me entre a vontade de voltar lá dentro e amaldiçoa-lo e fugir dali. Acabei por me acalmar e seguir a 2ª. Um dia hei de me vingar mas hoje não foi o dia.
A minha sorte é sempre ter sido boa aluna. Ele era terrível para as crianças com mais dificuldades. Nem consigo imaginar o ódio dessas crianças, agora adultos.
Tânia, perdoa-me pelo que te fiz. Não te queria magoar, apenas me queria proteger.
Moacir, quanto a ti, hei-de me vingar. Hei de te fazer miserável o quanto tu fizeste as crianças que passaram pelas tuas mãos. O Inferno assusta-me e sempre quis que ele não existisse mas é nestes momentos que espero que seja real para que apodreças no seu lugar mais fundo e terrível. Que toda a dor que infligiste em crianças inocentes cai sobre ti 10 vezes mais forte. Espero que sofras até ao fim dos teus dias e se existir algo por aí além que sofras ainda mais.
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