Eu desisto com facilidade de mim mesma. No entanto não permito que os outros desistam de si. Insisto com eles, torno o meu objectivo ajudá-los. Esses devem ser os únicos tipos de objectivos dos quais eu não desisto. É uma das poucas - se não a única - capacidades em que confio, a de "persuasão" se assim lhe quisermos chamar. É a única coisa que sigo até ao fim, sem nunca baixar os braços, porque se o fizer, não sou eu que saiu magoada no final. E porque a maior dor não é aquela que sentimos mas a de ver os que mais amamos a sofrer.
E é por isso que eu não posso baixar os braços. E por mais que doa, e por mais que dê por mim a pensar em desistir e seguir em frente, eu não posso. Mas aqui entra o meu egoísmo. Não o faço por ti, mas por mim. Porque eu sei que se por um único breve momento eu desistir de ti não conseguiria viver em paz o resto da minha vida, livre de remorsos. Eu não o faço por ti, faço por mim. Mas quando abracei este "desafio" eu sabia no que me estava a meter, já lá tinha estado antes, por outros.
Se eu decidi ajudar-te foi porque assim tinha que ser. E agora não vale a pena afastares-me, é tarde demais para isso. Toda eu já estou envolvida. Não acredito no destino mas sei que não poderia ter acontecido de outra maneira, era suposto estarmos onde estamos agora. E, por isso, é que eu sei que vais ultrapassar, porque de outro modo eu não estaria a ajudar-te, eu não teria sido envolvida. Porque tu queres sobreviver e eu quero ajudar e vamos conseguir. Mas para isso tu não podes desistir, nem eu, e eu não vou desistir.
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