O sol brilhava como noutra manhã qualquer. Podia ouvir os pássaros escondidos nos ramos, cantando liberdade misturado com o som do pequeno riacho que corria ao pé dos terrenos da D. Isabel.
Olhei para baixo e reparei que os pneus estavam carecas e com pouco ar e tive receio de furar a bicicleta mas não ia voltar para atrás. Então tentei procurar um caminho mais limpo, mais longe de buracos e pedras, onde a erva se misturasse com as folhas caídas. E então andei. Andei até não saber onde estava, mas não estava perdida. Podia não saber o nome daquele local, se pertencia a alguém, ou sequer lembrar-me do caminho de volta, mas não estava perdida. Pelo contrário, nunca tinha antes sentido que pertencia tanto a um local. Desci da bicicleta cujos pneus entretanto perderam mais um pouco de ar e deitei-me na erva. Parte de mim dizia-me que não estava a ser racional, que o mais provável era ter o pneu da bicicleta roto e para além disso já não encontrar o caminho de volta a casa, que devia procurar ajuda, que em breve iria ficar coberta de insectos, que aquele local tão perfeito como era deveria pertencer a alguém. Talvez não estivesse a ser racional pois tudo isso me pareceu insignificante perante a magnificência do que me rodeava. Não me movi. Limitei-me a ficar deitada a ver as poucas nuvens brancas que iam tapando o sol que me aquecia o rosto.
An End Has a Start by Editors
Texto lindo.. Gosto muito..
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